quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

MATIS, MARUBO E KANAMARI EXPULSAM COORDENADOR REGIONAL DA FUNAI NO VALE DO JURUÁ EM ATALAIA DO NORTE – AMAZONAS





                                   Insatisfeitos com a atual coordenação da Fundação Nacional do Índio – FUNAI, no município de Atalaia do Norte - AM, mais de 100 Parentes das etnias Matis, Marubo e Kanamari ocuparam a sede da autarquia federal, na manhã desta terça-feira (dia 19). Os indígenas chegaram a retirar forçadamente o coordenador da unidade, Bruno Pereira, e pedem a sua exoneração. 

                              Manoel Chorimpa, liderança do Movimento dos Povos Indígenas do Vale do Javari, informou que, durante toda a tarde de terça-feira, os Parentes estiveram reunidos, a fim de definir o nome para que possa ser indicado para assumir a coordenação da FUNAI no município.


                               O documento com a indicação do nome para assumir o cargo será encaminhado à sede nacional da FUNAI, em Brasília. “A insatisfação vem desde o ano passado, quando houve um conflito entre as nações Matis e Korubo. Os Matis pediram para que a FUNAI monitorasse as aldeias deles, por estarem sendo intimidados pelos Korubo, mas nada foi feito”, declarou o Parente Manoel Chorimpa. 



terça-feira, 19 de janeiro de 2016

GUARANI KAIOWÁ OCUPAM TERRA INDÍGENA TAQUARA





                    Parentes Guarani Kaiowá ocupam, desde sexta-feira, dia 15, a Terra Indígena Taquara, localizada em parte da fazenda Brasília do Sul, em Juti – MS, distante cerca de 320 quilômetros de Campo Grande – MS.

                      A Terra Indígena Taquara já foi palco de inúmeros conflitos armados, resultando na morte de muitas lideranças indígenas e onde ocorreu o emblemático assassinato da grande liderança Guarani Kaiowá, Marcos Veron, em janeiro de 2013.

                      O Ministério da Justiça já reconheceu que a Terra Taquara, onde está localizada a fazenda Brasília do Sul, é realmente Terra Indígena, motivo por que os Parentes Guarani Kaiowá aguardam a homologação da área, conforme acordado judicialmente.

                                Enquanto a homologação é oficializada, os Parentes seguem ocupando a área, que por direito lhes pertence.



sexta-feira, 9 de outubro de 2015

MAIOR REINADO DE TARTARUGAS É AMEAÇADO POR BELO MONTE



        A construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, dentre tantos outros danos ambientais, ameaça de extinção o maior sítio de desova de quelônios da América do Sul, que são as tartarugas (Podocnemis expansa) da Amazônia.
            Todos os anos, entre os meses de setembro e novembro, quando o rio está no período de estiagem, momento em que se formam várias praias nas cabeceiras dos rios, as tartarugas aparecem para realizar a sua desova. Elas sabem que os seus ovos depositados nas praias amazônicas vão precisar de um calor forte, típico dessa época, a fim de que se possa fazer valer todo o esforço para que a vida tenha continuidade, ou seja, que se dê continuidade ao tão necessário ciclo da vida.
            E há muitos anos, uma das praias que chega a reunir milhares da espécie Podocnemis expansa, a maior tartaruga de água doce do continente Sul-americano, fica a apenas 10 quilômetros de distância do canteiro de obras de Belo Monte. A praia que se forma na cabeceira do rio, é conhecida como Tabuleiro do Embaubal, no rio Xingu, entre os municípios de Senador José Porfírio e Vitória do Xingu (80 km de Altamira).
            As tartarugas chegam a medir 70 cm de comprimento e a pesar mais de 25 kg, chegando a desovar em torno de 120 ovos, cada uma. O período de incubação é de 45 a 55 dias. Parece muito, mas essa é a condição de maior vulnerabilidade, pois são a refeição preferida para muitos animais rastejadores, pássaros, encontrando no homem, o seu maior predador. Assim, a corrida pela sobrevivência tem início, mas não se sabe quem chegará a nascer, tornando o momento da eclosão dos ovos, em que as tartaruguinhas saem correndo em disparada em direção á água do rio, um dos momentos mais espetaculares da natureza!
            Grandes balsas e outras embarcações passam pela rota onde as tartarugas inevitavelmente passam para chegar ao Tabuleiro do Embaubal. Esta região do Xingu tem sofrido muitos impactos diretos com a construção dessa obra, não indiretos como fala o EIA/Rima (Relatório de Impacto Ambiental).
            O Tabuleiro do Embaubal é formado por mais de cem ilhas no trecho final do rio Xingu e, com a inundação de áreas como a Volta Grande por conta de Belo Monte, logo a grande caminhada das tartarugas não passará de meras lembranças.
            Um dos impactos diretos sobre a área de desova das tartarugas da Amazônia é a hidrovia que liga Belém - Porto de Moz - Vitória do Xingu. Nessa hidrovia, tem-se detectado uma quantidade enorme de cascos de tartarugas destruídos pelo impacto de hélices de barcos, rebocadores e balsas gigantescas que passam na frente do Tabuleiro do Embaubal, bem na rota por onde as tartarugas têm de passar.
            Segundo especialistas, além do aumento de casos de atropelamento das tartarugas, o volume de vazamento de óleo diesel no rio Xingu tem sido identificado com frequência, provocando, em determinadas épocas do ano, uma coloração diferente no rio. E, por conta do constante trânsito nas hidrovias, e por não encontrarem lugares seguros para a desova, as tartarugas soltam os ovos em pleno rio.
            Qual será a importância dessa riqueza biológica e da biodiversidade na economia nacional e o que isso representa para a sociedade brasileira?! Quando teremos sensibilidade para compreender a complexidade e a importância das questões que envolvem o planeta, o lugar em que habitamos?!?!




domingo, 26 de abril de 2015

MAIOR BÊNÇÃO DA CRIAÇÃO

                                 


                                            



                        Há muito, muito tempo, Sahú-Watô preparou-se para uma das maiores de suas criações, com zelo e cuidados sem iguais. Afinal, aquela seria uma obra-prima, que subsistiria eternamente, por isso merecia especiais cuidado e atenção.
                        Ela deveria ser dotada de mãos hábeis e ligeiras que agissem depressa, preparando o alimento de sua prole, com talento especial como ninguém. E que tivesse intuitivamente conhecimento sobre a manipulação dos elementares e fosse catedrática em medicina da alma. Que aplicasse curativos nos ferimentos do corpo e carinhos que servissem como bálsamo nas chagas da alma ferida e magoada.   Ela deveria possuir lábios, cujos beijos tivessem o dom de curar qualquer coisa, desde leves machucados, brandas iras a suspiros magoados.
                        Suas mãos saberiam acarinhar, mas também seriam firmes para transmitir segurança a cria de passos vacilantes. Também saberiam transformar um pedaço de palha, quase insignificante, em artesanato especial para ser utilizado na grande festa.  Além de ser dotada de muitos pares de olhos. Um par para ver por meio de espessa folhagem da floresta, para aqueles momentos em que se perguntasse: - Quem poderá nos salvar?! Outro par de olhos para ver o que não deveria, mas precisa saber e, naturalmente, olhos normais para fitar com doçura sua cria em apuros e lhe dizer: - Eu te compreendo! Não tenhas medo! Eu te amo! -, mesmo sem dizer nenhuma palavra.
                        Assim, trata-se de uma criação delicada e amável, certamente. Contudo, ao mesmo tempo dura e resistente, capaz de resistir ao maior vendaval, às piores tempestades noturnas e a toda e qualquer adversidade, a fim de proporcionar segurança e proteção aos seus, superando a própria enfermidade em benefício dos seus amados e de alimentar uma família apenas com o seu amor.  Com capacidade de derramar lágrimas de saudade e de dor. No entanto, ainda assim, insistir para que sua cria parta em busca do que lhe constitua sua felicidade ou signifique seu progresso maior.
                        Ela foi criada com incrível capacidade de derramar lágrimas especiais para os dias da alegria e os da tristeza, para as horas de desapontamento e de solidão. Com lábios ternos, que soubessem cantar canções para ninar bebês, e cantassem poemas de exaltação à beleza da paisagem e aos encantos da natureza, tendo sempre as palavras certas para o filho arrependido pelas tolices feitas, com sabedoria para falar sobre o Grande Espírito, Sahú-Watô, Criador do Universo e do amor.

                        Essa maravilhosa criação é a MÃE, que possui a nobre missão de receber em seus braços Espíritos e conduzi-los ao Bem. Portanto, enquanto houver MÃES na Terra, Sahú-Watô estará abençoando o homem com a oportunidade de alcançar a meta da perfeição que lhe cabe, porque a MÃE é a mão que conduz, o anjo que vela, a mulher que ora, na esperança de que os seus filhos alcancem Felicidade e Paz.







 

domingo, 19 de abril de 2015

PISA LIGEIRO!




“Pisa ligeiro!
 Pisa ligeiro!
 Quem não pode com formiga,
 Não assanha o formigueiro!!!”.


domingo, 22 de fevereiro de 2015

O KUANDÚ E A BORBOLETA






                                         Há muito, muito tempo, desde as primeiras canções, conta-se sobre a amizade entre uma linda, leve e colorida borboleta e um resmungão, agressivo e sempre mal humorado Kuandú, o Porco Espinho. Sim, não tinham praticamente nada em comum, mas em certo momento de suas vidas se aproximaram e criaram um forte laço de amizade.

                        A borboleta era livre, voava por todos os cantos da floresta, enfeitando a paisagem. Já o Kuandú, tinha grandes limitações, não tinha amizade com ninguém, pois sempre que alguém se aproximava dele, acabava de alguma forma se machucando. Por isso, vivia sempre sozinho, não tendo nenhuma amizade. Contudo, a borboleta, muito embora tivesse a amizade de muitos outros animais e a liberdade de voar por toda a floresta, gostava de fazer companhia ao Kuandú, agradava-lhe ficar ao seu lado e não era por dó, mas por companheirismo, afeição, dedicação e carinho. Assim, todos os dias, ia visitá-lo e lá chegando levava sempre uma espetada, depois, então, um sorriso.

                        Entre uma espetada e outra, a borboleta optava por esquecer a dor e guardar dentro do seu coração, o sorriso e os bons momentos. Sempre o Kuandú reclamava de sua sorte e que nada acontecia de bom o suficiente para tornar a sua vida feliz, por isso cobrava da borboleta uma solução para todos os seus problemas. Ela, sempre muito otimista e carinhosa, tentava de todas as formas ajudar-lhe, mas isso nem sempre era possível por ser ela uma criaturinha tão frágil. Os anos se passaram e numa manhã de verão a borboleta não apareceu mais para visitar o seu companheiro. 

                        O Kuandú nem percebeu, preocupado que ainda estava em procurar alguma coisa para comer. E vieram outras manhãs e mais outras e outras, até que chegou o inverno e o Kuandú sentiu-se só e finalmente percebeu a ausência da borboleta. Por isso, resolveu sair do seu cantinho, onde costumava ficar próximo a um igarapé, e sair pela floresta adentro a procurar por sua alada, colorida e sempre animada, amiguinha. Caminhou por toda a floresta a observar cada cantinho onde ela poderia ter se escondido, mas não a encontrou. Cansado, deitou-se embaixo de uma árvore. 

                        Logo em seguida, uma Anta se aproximou e lhe perguntou: 

                        - Quem é você?! E o que faz por aqui?! Eu nunca lhe vi por estas bandas! 

                        - Eu sou o Kuandú, que mora próximo ao igarapé e estou a procura de uma amiga minha, a borboleta que sumiu!

                        - Ah! Então é você o famoso Kuandú?! 

                        - Famoso, eu?! Retrucou admirado. 

                        - É que eu tive uma grande amiga que me disse que também era sua amiga e falava muito bem de você. Mas afinal, qual borboleta você está procurando?! Pergunta a Anta. 

                        - É uma borboleta colorida, alegre, que sobrevoa a floresta todos os dias, visitando todos os animais amigos e sempre disposta a prestar algum auxílio!

             - Nossa! Mas era justamente dela que eu estava falando! Exclamou com pesar a Anta - Você ainda não sabe?! Ela morreu e já faz algum tempo! 

                   - Mo...morreu?! Mas..., como assim?! Como foi isso?! Perguntou desesperado o pobre Kuandú. 

                        - Dizem que ela conhecia, aqui na floresta, um Kuandú, assim como você e todos os dias quando ela ia visitá-lo, saía machucada - Respondeu a Anta -, ela sempre voltava com marcas horríveis e todos lhe perguntavam quem poderia ter-lhe feito aquilo, mas ela jamais contou a ninguém. Insistíamos muito para saber quem era o autor daquela malvadeza e ela respondia que só ia falar das visitas boas que tinha feito naquela manhã e era aí que ela falava com a maior alegria de você. 

                        Nesse momento, o Kuandú já estava derramando muitas lágrimas de tristeza e de arrependimento. 

                        - Não chore, meu amigo, sei o quanto você deve estar sofrendo! Ela sempre me disse que você era um grande amigo, mas entenda, foram tantos os machucados, que ela recebeu, que acabou perdendo as suas asinhas, vindo a adoecer muito, até não conseguir resistir mais e morreu! 

                        - Mas..., por que ela não mandou me chamar nos seus últimos dias?! Pergunta no meio de soluços, o Kuandú. 

                        - Não, todos os animais da floresta quiseram lhe avisar, mas ela os conteve e disse o seguinte: "Oh! Por favor! Não perturbem meu amiguinho com coisas pequenas, ele tem um grande problema, que nunca pude ajudá-lo a resolver! Carrega em seu corpo uma pelagem feita de espinhos, então pode ser difícil demais pra ele vir até aqui. Contudo, se algum dia ele aqui vier, queiram lhe entregar essa carta". 

                        O Kuandú pegou a carta e começou a lê-la, que assim dizia: 

                        "Meu amado amiguinho, não culpe a ninguém por seus infortúnios, afinal são as provações que nos tornam mais fortes. Espero que você possa aceitar as coisas como elas são... Sem pensar que tudo conspira contra você...! Porque parte de nós é entendimento... e a outra parte é aprendizado...!  

                        Que você possa ter forças para vencer todos os seus medos! Que no final possa alcançar todos os seus objetivos! Que tudo aquilo que você vê e escuta possa lhe trazer conhecimento! Que sua vida possa ser longa e feliz! Pois parte de nós é o que vivemos, a outra parte é o que esperamos! Que durante a sua vida você possa construir sentimentos verdadeiramente bons! Que, enfim, você possa aceitar que só quem soube da sombra, pode saber da luz! 

                        Para ser feliz não existe poção mágica! É preciso tão somente ter a alma limpa e desprovida de mágoas e rancores! Quanto mais tempo ficarmos remoendo as dores, mais tempo levaremos para cicatrizar as feridas! 

                        Estamos nesta vida de passagem! Saiba que cada um é livre para cumprir a sua missão! Por isso devemos agradecer sempre ao Grande Espírito da floresta, pela sua compaixão, pela sua graça, pela sua bondade, que estão sempre presentes, sustentando-nos nos momentos mais difíceis." 


 


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

A FOGUEIRA ACESA



                        O maior desejo de Ximbuca era ter alguns dias a sós com o grande Pajé. Acreditava que desta forma seria mais fácil aprender os seus ensinamentos. O Pajé, sabendo dos desejos de Ximbuca, resolveu lhe fazer uma surpresa. Assim, foi que o convidou para passarem alguns dias na floresta adentro.                 
                        Ximbuca deu pulos de alegria e foi correndo arrumar suas coisas para ir com o Pajé para a floresta adentro. Assim, foram caminhando cada vez mais para dentro da floresta até chegarem ao lugar previsto pelo Pajé, que era  formado por mata bem cerrada, sendo necessário caminharem até o pé de uma grande rocha, conhecida por todos como Pedra da Lua. Depois da escalada, o Pajé determinou que Ximbuca preparasse o lugar, onde iriam dormir naquela noite, e que fosse procurar por lenha, pois teriam de fazer uma fogueira, pois logo anoiteceria. Por isso, Ximbuca, com grande devoção, cuidou para que tudo fosse preparado de acordo com a vontade do Pajé, e saiu saltitante em busca da lenha para o preparo da fogueira ao luar.
                        Mas qual foi sua surpresa!? Ximbuca afoito em seus pensamentos, não conseguindo relaxar, acabou tendo muita dificuldade para encontrar lenha que servisse para o preparo de uma boa fogueira, como a que a ocasião sugeria. Depois de passadas algumas horas, Ximbuca voltou trazendo a lenha em seus braços. Estava cansado e muito irritado, mas voltou a sorrir quando o Pajé veio ao seu encontro, felicitando-o pelo esforço, e vibrando positivamente em seu favor, desejando que Ximbuca, na dor encontrada, pudesse evoluir espiritualmente. Pois o pajé sabia o quanto era difícil encontrar lenha boa naquela parte da floresta.
                                    Logo ao chegar, Ximbuca deitou-se para descansar, mas o Pajé imediatamente interveio:
                        - Ximbuca está anoitecendo e nós não temos fogo! Trate de andar rápido e faça uma boa fogueira para que possamos manter os animais afastados!
                        Nossa! Ximbuca não acreditou no que acabara de ouvir, mas, imediatamente se pôs a fazer a fogueira. Quando o fogo estava já bem alto, o Pajé lhe agradeceu e novamente lhe destinou energias reconfortantes, pondo-se a sentar-se ao lado da fogueira. Ximbuca deu-se por satisfeito. Tudo estava na mais perfeita ordem e na mais suave harmonia. Iria finalmente poder ouvir os ensinamentos do Pajé e depois descansar.
                        Foi então que o Pajé lhe falou:
                        - Ximbuca, bravo guerreiro, vou recolher-me e ficarei a noite inteira envolvido com minhas rezas. Quero pedir-lhe uma coisa: não permita, sob hipótese alguma, que este fogo se apague. Amanhã, quando o sol raiar, este fogo deverá ainda estar aceso!
                        Ximbuca tentou perguntar ao Pajé o porquê de tal pedido, mas ele já se recolhera para fazer suas rezas, e Ximbuca sabia que não o poderia incomodar. Entediado, sentou-se ao lado da fogueira. Sabia que não poderia dormir e que o fogo deveria permanecer aceso. Colocava lenha de hora em hora para alimentar a fogueira, e de repente olhou para o céu viu que poderia chover, pois o tempo fechou, cobrindo os raios do luar. E agora?!
                        O tempo passava e o dia já estava quase amanhecendo e Ximbuca, a essa altura, estava furioso. Sentia tanta raiva que teve vontade de abandonar o Pajé ali mesmo. Contudo, teve que desarmar sua rede para poder cobrir a lenha e proteger a fogueira da chuva. Estava todo molhado, e não suportando mais tanto sofrimento se pôs a chorar!
                        Momento em que o Pajé apareceu e lhe disse:
                        - Ximbuca, se tens por propósito descobrir os segredos do poder dos elementares, procura primeiramente iluminar-te e servir ao Grande Espírito da floresta, estando sempre muito bem disposto a cuidar da tua chama interior! Portanto, não permitas que nenhum pensamento e nenhuma emoção - criados por tua própria mente -, contaminem a tua paz e a tua serenidade! Deves procurar formas e formas de manter tua chama acesa, não te entregando jamais aos pensamentos carregados de pessimismo e de desesperança! A confiança em teu propósito é o que te guiará e o que te fará manter sempre este fogo aceso! Sem esta chama, tu cairás na escuridão e o que poderás aprender quando nada podes ver?!

                        Agora já podemos voltar para a nossa aldeia. A nossa missão aqui já está cumprida!